Assisti: Cara Gente Branca

Estreou na última sexta-feira, 28 de abril, a nova série da Netflix, Cara Gente Branca. Baseada no filme de mesmo nome (indisponível no catálogo da empresa), a série conta a história de universitários negros norte-americanos da fictícia Universidade Winchester. Fiquei sabendo da série cerca de 2 semanas atrás, em um daqueles e-mails que a Netflix costuma mandar com dicas “de acordo” com seu perfil. Pois bem, fui maratonar a série e eis aqui a minha opinião.

Antes de começar a falar, tenho que deixar bem esclarecido que não sou especialista nesse assunto e ainda estou aprendendo como não cometer deslizes no dia a dia, com isso não sendo racista, mesmo sem perceber. Aprendi muito ouvindo o que as migas negras tem a dizer e, mesmo não me achando racista, percebi que cometia deslizes e acabava sendo.

Esse é um dos primeiros pontos da série, pelo menos pra mim. Ouvir o que as pessoas que realmente sofrem tem a dizer. Para assistir a série e absorver tudo o que ela pode ensinar, nós, brancos, que nunca sofremos com nenhuma situação de racismo, temos de entender que sobre esse assunto nossa opinião não é válida e que sabemos vários nada sobre ele. Parece até bobo falar isso né? Mas, infelizmente, essa é a realidade. Racismo é algo que todo mundo sabe ser errado, mas é nos “pequenos detalhes” que a vida nos prega peças.

A série tem 10 episódios de quase 30 minutos cada, então da pra maratonar numa tarde, tranquilamente. E o ideial é assistí-la assim, seguida, sem pausa. Confesso que o jeito que foi apresentada nos 4 primeiros episódios não estava me agradando. Cada um deles focou em uma personagem, e apesar dos vários tapas na cara, esse não é meu formato preferido de série. Mas aqui deu pra perceber que é importante pra entendermos o que começa acontecer lá nos episódios finais. É importante saber a história de cada um pra entender as atitudes individuais e, consequentemente, as coletivas.

A história se passa numa universidade renomada onde os dormitórios são divididos em casas e uma delas é especialmente dedicada aos negros, mas ao contrário do que isso possa parecer, não é algo ruim. É lá que eles se juntam para conversar e também onde ocorrem as reuniões que mudam os rumos da universidade.

A principal personagem da casa (e da história) é Samantha White. Sam, como é conhecida, é aluna de Cinema e responsável pela rádio da Universidade. Sem papas na língua, Sam é, também, a líder do movimento negro da Universidade. Sem medo de causar má impressão nas pessoas, ela fala, briga, impõe sua opinião, além de dizer para todo o campus os absurdos que ocorrem por lá.

O ponto inicial da série é a Festa de Halloween com o tema Blackface, organizada pela Pastiche, a revista oficial da Universidade. A direção descobre o tema da festa e obrigada a revista a cancelar, porém um convite é vazado para os alunos e a festa ocorre da mesma forma. É a partir desse evento que toda a história se desenrola. Com ele, a série começa a mostrar todos os absurdos que brancos podem fazer para oprimir negros, além de mostrar como a maioria da população não faz esforço nenhum para entender o que eles passam diariamente.

Temas como blackface, “racismo reverso”, relação polícia-negros, relação amorosa inter-racial, relação amorosa homoafetiva, relação de poder financeiro, entre outros são abordados nos episódios, além é claro dos dramas comuns a jovens adultos que tem de se virar na Universidade (norte-americana, já que as nossas são completamente diferentes). Também mostra como cada pessoa dentro do próprio movimento tem um pensamento, principalmente baseado em suas experiências pessoais. Por esses temas, a série mostra-se importantíssima para adolescentes e adultos, já que muitas vezes o tema é tratado como mimimi. As personagens são bonitas, inteligentes, bem articuladas e isso acaba gerando uma empatia com o público da Netflix, majoritariamente branco principalmente nos EUA. Também são citadas figuras importantes como Martin Luther King e Beyoncé, gerando mais um ponto de empatia com o público.

Eu adorei a série mesmo que em alguns momentos ela pareça superficial, e realmente é, afinal os assuntos não são abordados a fundo, apenas são colocados a tona. Talvez nas próximas temporadas eles sejam abordados de outra forma, ou talvez não, porque assim já seja o suficiente para nos fazer entender que essas situações nem deveriam existir. Como disse, levei alguns tapas na cara e consegui enxergar alguns pontos de uma ótica diferente, afinal ver uma cena de racismo é muito mais pesado que apenas ler um relato, mesmo que essa cena seja em uma série de “ficção”.  Por mim, a série seria obrigatória em todas as salas de aula de escolas e Universidades no mundo todo.

E vocês assistiram a série? O que acharam? Eu não achei o filme para assistir, mas se alguém assistiu me conta aqui se é parecido com a série? Já estou ansiosa pela segunda temporada!

Imagem: reprodução Netflix

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