Assisti: GirlBoss

Estreou na última sexta-feira, 21 de abril, a série GirlBoss na Netflix. Inspirada no livro de mesmo nome, a série conta a história de Sophia Amoruso, criada do e-commerce NastyGal. O livro foi lançado em 2014 e conta a história de como Sophia conseguiu sair do nada até ser uma das maiores empresárias do ramo da moda. Confesso que conhecia a história por cima e não li o livro, mas resolvi assistir pra conhecer um pouco mais. Assim que os episódios começam, eles dão um aviso dizendo que será uma versão livre de fatos reais. Bem Livre. Não sei até que ponto a série foi escrita para entreter ou contar uma história real, mas de forma geral eu gostei.

A Sophia da série é uma pessoa horrível. Sério gente, que pessoa escrota. Ela é mal educada, mimada, egocêntrica, entre outros adjetivos não muito agradáveis. Ela começa a série no lixo e mesmo assim trata todos ao redor mal, até a sua melhor amiga. Com os episódios ela melhora um pouco (a temporada começa em 2006 e termina em 2008), mas não chega ao fim da temporada como uma pessoa melhor, mesmo passando por situações completamente ruins. Muito da personalidade dela vem por conta da criação. A mãe a abandonou com quando ela tinha 12 anos e o pai, mesmo com excelentes condições financeiras, nunca foi um pai amoroso e sempre duvidou da capacidade da filha, mesmo quando ela já tinha um relativo sucesso. Ao longo dos episódios dá pra entender essa relação dela com os pais e como isso influenciou seu comportamento.

A personagem que mais chamou minha atenção, na verdade, foi Annie. Melhor amiga de Sophia há alguns anos, ela começa a série como uma amiga meio burra, que gosta de festa e só pensa em transar com o bartender para ter bebidas grátis. Ao longo dos anos, percebemos que Annie amadurece e torna-se o braço direito da amiga, além de ser uma das figuras mais importantes no lançamento e organização da NastyGal como empresa. Sem contar que Annie é uma persona melhor do que a amiga protagonista, além de muito mais real.

Os personagens masculinos tem lá suas particularidades. Dax, o namorado/bartender/estudante de administração de Annie e melhor amigo de Shane, namorado de Sophia, é uma personagem curiosa. Ele é todo sério e não gosta da personagem principal, apenas a atura, afinal ela é melhor amiga da namorada dele, mas quem pode culpá-lo? A relação de Dax e Sophia é cheio de ironias e cenas engraçadas de tão absurdas. Shane, o namorado de Sophia, é uma personagem controversa. Logo nos primeiros episódios ele parece um fofo, mas em seguida afirma ter traído a ex-namorada. Em muitos momentos ele é machista pra caralho e me deixou particularmente puta quando, em uma briga, ele joga todos os defeitos dela, com a clara intenção de machucá-la. Óbvio que Sophia não deixa por menos e faz o mesmo com ele. A sensação que me deixou é que eles tinham um relacionamento bem tóxico e nada bom pra nenhum dos dois e, infelizmente, isso acaba se comprovando no final.

As personagens esporádicas são maravilhosas e mereciam mais espaço. O vizinho, Lionel, interpretado por RuPaul, é simplesmente maravilhoso. Ele é vizinho de porta de Sophia e vive as turras com ela. A relação dos dois é cheias de brigas, gritos, mas também cheia de apoio de uma forma estranha. Também tem o dono da loja de antiguidades que Sophia sempre faz compras. O dono é bem esquisito e compartilha com a protagonista, muitos dos adjetivos e por isso a relação deles é tão verdadeira. Também tem a senhorinha que sempre dá apoio e conselhos certeiros para Sophia e que aparece apenas duas vezes, mas merecia aparecer em todos os episódios.

Como eu disse lá no início eu gostei da série apesar da protagonista escrota. Acho que ela serve muito para nós, que estamos vivendo nesse mundo onde temos que escolher uma profissão muito mais por obrigação de ser bem sucedido com certa idade do que por vocação. Também acho que vale muito pra não nos fazer desistir dos nossos sonhos, mesmo que eles não se realizem e sejam apenas sonhos para nos levar adiante. O fato de Sophia ter criado um império de milhões de dólares a partir de 10 dólares, serve para não deixarmos pra trás aquelas pequenas inspirações que temos no dia a dia e continuar seguindo, pois em algum momento vamos acertar. Acho que vale muito! Quanto a relação girl power que muitas pessoas estavam esperando, Sophia tem algumas frases bem impactantes e certeiras, principalmente se formos pensar que ela estava entre 2006 e 2008, quando quase ninguém falava sobre isso e as atitudes de todas nós com certeza era muito diferente das que temos hoje. Também acho que vale muito pela questão de que ela fez tudo apenas com ajuda de mulheres (Annie; a moça que criou o site; a senhorinha que sempre deu conselhos certeiros) e isso é louvável.

Eu maratonei a série em menos de 24h, mesmo parando pra tomar banho, comer, dormir, lavar a louça, afinal são 13 episódios de menos de 30 minutos. Serve como um excelente divertimento e como a série mesmo diz, os fatos são recontados livremente e não sabemos o quão verdadeira livre ela é, mas dá pra aprender uma coisa ou outra com ela, mesmo que seja apenas como não ser um ser humano tão escroto.

E você assistiu a série? Já conhecia a história? Leu o livro e viu muita diferença? Me conta aqui!

Imagem: reprodução Netflix

2 thoughts on “Assisti: GirlBoss

    1. Desde sábado eu tenho lido bastante gente falando sobre isso! Acho que vou comprar o livro!!! Bjks

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