Indicado ao Oscar 2017: Moonlight: sob a luz do luar

Dizer que eu estava curiosa por esse filme, talvez, seja muito simplista. O filme que fala sobre a situação de garotos pobres, negros e que vivem no gueto já é difícil o suficiente para um filme. Some-se a isso o fato, de pelo menos um, desses garotos ser homossexual, ou pelo menos estar perdido quanto a sua orientação sexual. Por esses fatos, Moonlight já é um filme interessante e desafiador. Estar indicado ao Oscar é só um detalhe.

A história gira em torno de Chiron (Alex R. Hilbert/Ashton Sanders/Trevante Rhodes), um garoto na faixa dos 10, 12 anos. Ele é chamado por colegas na escola de “bichinha” e “boiola” e vive fugindo deles. Chiron só tem a mãe (Naomie Harris), mas não é um garoto de muitas palavras. Quando em um dia é perseguido por esses tais colegas, acaba resgatado por Juan (Mahershala Ali), um cubano, dono do tráfico do bairro. Juan leva o garoto para a casa da namorada, Teresa (Janelle Monaé) na esperança de fazer o menino falar quem é, onde mora e o que fazia fugindo dos garotos da escola. Teresa consegue fazer o menino contar algumas coisas da vida e no dia seguinte Juan o leva para casa e já percebe como o garoto vive em um lar totalmente desfuncional. Mesmo com o apelo da mãe de Chiron, Juan e Teresa passam a proteger o garoto da mãe viciada.

É nesse ambiente que Chiron cresce. Recebendo amor e atenção de Teresa e Juan, mas tendo de conviver com os ataques da mãe viciada e dos colegas de classe. Chiron é um garoto ferido pela vida, sem amigos e em dúvida sobre vida sexual.

Falar mais sobre a história é dar spoiler do que esta por vir e, nesse caso, spoiler é tudo o que não precisamos. As cenas por vir são impactantes, marcantes e o fim dele me deixou bem brava. Queria mais 10 minutos de filme para ter certeza do que acontecerá a seguir. Mas pensando bem, a beleza seja exatamente nos deixar com o ar suspenso, pensando em quantos Chirons conhecemos por aí, o que podemos fazer não só por esses garotos, mas também por suas famílias, se podemos ser o Juan de alguém e até como a vida pode ser controversa, assim como é a vida de Juan.

Quantos as indicações ao Oscar, eu achei o filme maravilhoso, mas conhecendo a Academia como (acho que) conheço, eles não levaram o premio. Se o Oscar pudesse ser dividido, com certeza ele teria metade, junto com Lion. Naomie Harris faz a mãe e é incrível como ela consegue nos fazer acreditar nessa mãe que ama o filho, mas não consegue lidar com o peso de criá-lo; como ela parece ser uma leoa o defendendo em alguns momentos, mas no instante seguinte ela não o quer por perto. Acho que leva a estatueta se a Academia for justa (ainda não assisti Fences, então entre as concorrentes até esse momento, ela é a melhor). Vamos aguardar e ver se a Academia será justa ou se fará mais do mesmo nesse ano.

Outras informações:

Data de lançamento: 24/02/2017

Duração: 110 min

Diretor: Barry Jenkins

Vale assistir no cinema: Sim

Nota: ****

Golden Globe Awards: 1/6

Oscar: 8 indicações

Imagens: The South Bay Film Society e AdoroCinema

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