Precisamos falar sobre o caso de Abuso no BBB

Nunca subestime a habilidade de um homem de fazer você se sentir culpada pelos erros deleRihanna

ATENÇÃO: OS LINKS CONTIDOS NESSE POST CONTÉM DESCRIÇÃO DE ABUSOS PSICOLÓGICOS E FÍSICOS.

Eu não ia fazer post sobre isso. Minha intenção era fazer um post no Instagram mas o texto virou um textão e não caberia lá, então aqui esta:

Eu nunca fui fã da Emily. Acho que ali na criação faltou muita coisa, entre elas educação. No programa queria que ela tivesse saído faz muito tempo, mas jamais pensei que se ela tivesse saído, há pelo menos 1 mês, muita coisa teria sido evitada.

O que aconteceu com ela, principalmente nos últimos 7 dias, infelizmente é o que acontece com tantas mulheres diariamente (no Brasil e no mundo) e assim como Emily elas não percebem. O que o Marcos fez não tem justificativa e isso inclui comentários do tipo “ela mereceu porque provocava” ou “ela já devia ter dado um basta nisso” e sabe por quê? Porquê quem está imerso em relacionamento abusivo demora a perceber. Infelizmente, a reação dela é comum para vítimas de abuso psicológico e, pasmem, físico. O medo de denunciar é maior quando ela pode sofrer retaliação.

Marcos criou uma rede envolta deles e fez com que ela só enxergasse ele pra ajudá-la, defendê-la e também para machuca-la. Na cabeça dela, o que vem dele é passível de ser relevado porque ele “a ama e a cuida”, apesar de “perder a cabeça” vez ou outra. Por estarem dentro do programa ele ainda conseguiu encurrala-la com a questão da grana, fazendo com que ela se culpasse se algo de ruim acontecesse com ele advindo de uma ação dela. Também conseguiu fazer com que quem se aproximasse dela, mas não dele, virasse vilão. Ela não fez nada por medo do que poderia acontecer se falasse algo, já que é “mais fácil” continuar em uma situação que ela “sabia lidar”.

Eu continuo não gostando dela, mas nesse momento me sinto incapaz de julga-lá, porque mesmo conhecendo o significado de machismo, violência psicológica entre elas gaslighting (omenlouquece), mansplaining (omexplicando) e manterrupting (ominterropendo), fora a violência física, eu não sei qual seria minha reação numa situação dessas. Talvez eu quebrasse o nariz dele com um soco que nunca dei na vida, talvez ficasse acuada, exatamente como Emily ficou. Mas olhando de fora eu jamais vou deixar uma situação dessas acontecer sem fazer nada. Hoje eu cancelei meu Globo Play, porque foi o jeito que consegui de, pelo menos, virar estatística pela falta de ação da Globo. Ação essa, inclusive que só aconteceu porque uma delegada resolveu instaurar um inquérito em que independe da vontade da vítima, visto que as imagens são prova irrefutável.

Eu já vivi uma situação parecida com essa pra ter certeza que ela não tem culpa? Não, nunca vivi, mas basta dar um google ou conversar dois minutos com vítima de qualquer tipo de abuso pra entender que ela tem 0 culpa por não ter feito nada. Some a isso ela ter apenas 20 anos, não ter um grau alto de instrução, conhecer vários nadas sobre feminismo, ter uma família que parecer conhecer tanto quanto ela sobre esses assuntos e já ter passado por outros relacionamentos abusivos (ela mesma já contou que teve namorados que a fazia trocar de roupa, era extremamente ciumento e em um deles o final foi “trágico”, sem dizer exatamente o significado disso).

Não devemos deixar uma situação como essa se repetir, seja na vida, seja em rede nacional. Mas se você ver uma situação dessas dentro de casa, no vizinho ou na rua e tiver medo de se intrometer (aliás, totalmente compreensível), existem os número de denúncia como 180 da Delegacia da Mulher; 181 – Disque Denúncia; 190 – Polícia Militar; 193 – Corpo de Bombeiros; 194 – Polícia Federal e 197 da Polícia Civil. Mas porque ligar, por exemplo, para os Bombeiros? Porque os atendentes são especializados e conseguem entender a situação mesmo que você não possa dizer exatamente o que esta acontecendo.

Se ainda assim você continua culpando Emily, clica para ler:

Sobre relacionamento abusivos, o Huffungton Post tem algumas matérias bem esclarecedoras:

A melhor coisa para evitar mais casos como esse é com informação. Procurar relatos, dividir com amigas, tias, mães. Ao invés de culpar a vítima, vamos tentar nos colocar no lugar dela e pensar se em algum momento já não passamos por isso, com namorado, marido, irmão, amigo. Pensar em quantas vezes nos calamos para evitar uma briga quando na verdade o que acontecia era medo do que poderia vir, seja na forma de grito, dedo na cara ou literalmente tapas e socos.

Com relação ao prêmio, continuando achando que Emily não merece, mas nem por isso deixarei de ser empática ou de brigar com quem acusá-la nessa situação.

E só pra finalizar:

Então é isso migas, vamos nos juntar e defender umas as outras, porque alguém já disse “juntas somos mais fortes”.

Bjks

UPDATE: Subiu uma # no twitter com várias pessoas contando sobre relacionamento abusivos que viveu. Vale procurar por #EuViviUmRelacionamentoAbusivo ou clicando aqui.

UPDATE 2: A Karla Lopes do Hey Cute fez um post falando a importância de nos unirmos: Vivian, Ieda, Emily e a importância da união entre mulheres.

UPDATE 3: A Joana do F-utilidades deu um relato sobre o abuso psicológico que ela sofreu em: Emily, eu também não vi o meu abuso emocional.

Imagens: reprodução twitter

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