Precisamos falar sobre o Dia Internacional da Mulher

“Feminista: uma pessoa que acredita em igualdade social, política e econômica para os sexos”

Hoje é o Dia Internacional da Mulher e é um dia que vai muito além das rosas, parabéns e presentes. Eu já fui daquelas que recusam qualquer presente e até as homenagens justas pra esse dia. Hoje, 08 de Março de 2017 eu penso um pouco diferente.

Mas Camila por que ter um dia especial pras mulheres? Mas Camila, por que fazer homenagens quando buscamos igualdade? Mas Camila por que receber uma homenagem em pleno anos 2000 quando mulheres queimaram sutiã a mais de uma centena de anos? Mas Camila… Muita calma quando se fala em Dia Internacional da Mulher é necessária. Antes de qualquer coisa, pensar que o dia é especial apenas por conta de sutiãs queimados nos anos 1960 é assinar o atestado de que não sabemos nada sobre a data e sua criação. Mulheres lutam por seus direitos (políticos, sociais e sexuais) faz alguns séculos.

Quando falamos da origem da data, encontramos divergências e a principal causa é a comercialização dela. Sim, campanhas publicitárias transformaram uma data importante em data comercial (assim como aconteceu com datas como Natal, por exemplo). A origem real, não sabemos, mas especula-se que tenha sido em meados do século XIX com o movimento sufragista, onde mulheres inglesas começaram a lutar pelo direito ao voto, mas também por melhores condições de trabalho. O movimento espalhou-se pela Europa e EUA e mesmo sem receber esse nome conseguiu com que alguns países liberassem o voto para o sexo feminino. A data que temos hoje foi definida após protesto russo serem reprimidos com violência, em 1917, porém a ONU só passou a reconhecer oficialmente a data em 1977.

Mas o que nós, em pleno 2017 temos com isso? TUDO!!! Você, assim como eu, mulher branca, heterossexual, de classe média tem liberdade sexual, tem estudo, tem conhecimento, tem internet pra buscar informações a hora que bem quiser e, muitas de nós, tem até um parceiro, marido, namorado que divide as tarefas da casa conosco. O problema é que não temos igualdade de salário, não somos respeitadas e mesmo nós, tão privilegiadas, não estamos livres de sofrer violência física, sexual e psicológica. Agora pense na mulher negra, pobre, de baixa escolaridade! Pense nas mulheres homossexuais e/ou transexuais. Falar sobre a situação da mulher negra não é meu lugar de fala, mas olhe ao redor e perceba quantas mulheres negras ocupam cargos iguais ou superiores ao seu na empresa que trabalha ou já trabalhou. Quantas mulheres negras estão na universidade pública fazendo cursos tradicionais como medicina, direito, arquitetura (sem falar na situação de qualquer mulher em cursos como engenharias e matemática, por exemplo). Quantas mulheres transexuais sofrem preconceito, desde o momento que assumem fisicamente seu gênero, mas não tem seus documentos alterados para o nome social que escolheram.

Quantos direitos as mulheres ainda não tem reservados simplesmente por serem mulheres? Salários são cerca de 30% menor para as mulheres do que para os homens1, mesmo quando a escolaridade feminina é maior. Se isso não é assunto importante, necessário de ser discutido e atual, eu não sei o que mais deveria ser.  Que tal o dado de que 1 mulher é estuprada, no Brasil, a cada 11 minutos?2 Ou ainda a ideia de nossos legisladores querer proibir mulheres estupradas de praticar aborto3, além é claro de fechar os olhos para o fato de que a cada dois dias uma mulher morre4 devido ao não atendimento em casos de abortos ilegais ou desse ser o principal motivo de mortes derivado de gravidez. Nada disso importa? E esses dados “Do total de atendimentos realizados pelo Ligue 180 – a Central de Atendimento à Mulher no 1º semestre de 2016, 12,23% (67.962) corresponderam a relatos de violência. Entre esses relatos, 51,06% corresponderam à violência física; 31,10%, violência psicológica; 6,51%, violência moral; 4,86%, cárcere privado; 4,30%, violência sexual; 1,93%, violência patrimonial; e 0,24%, tráfico de pessoas”5? Viram como o fundo do poço pode sempre ser mais baixo, mesmo que pra algumas de nós pareça raso?

O dia Internacional da Mulher não se trata de flores, de ser mimada, de presentinhos. Trata-se de respeito e igualdade. Temos que parar para pensar o que estamos fazendo de melhor pro mundo, pra que todas tenham uma vida digna, sem medo, sem ameaças, com igualdade social, política e econômica. É o dia para os homens pensar no quanto uma mulher sente medo em andar na rua escura, sozinha; pensar no quanto ele faz pro bem estar da casa em que vive e das mulheres que ama; pensar o quanto ele pode melhorar a vida das mulheres do trabalho. O dia é para TODOS pararmos e analisarmos o que estamos fazendo para que o mundo seja mais justo, para que as pessoas sejam analisadas por suas qualidade e defeitos e não pré-julgadas por gênero.

Quando eu aprendi que o Dia Internacional da Mulher é sobre igualdade, entendi que é nosso por direito porque desde sempre ser mulher é difícil pra caralho.

Dados citados no texto, não deixe de acessar:

1 Dados do Observatório de Gênero do Governo Federal

2 Revista Carta Capital em 03/11/2016

Revista Galileu online em 18/05/2016

4 Carta Capital online em 28/11/2016

5 Dados divulgados pelo site Compromisso e Atitude

Imagem: Pinterest

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