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Sobre mudanças pessoais, consumo consciente e minimalismo

senta com um balde de pipoca

porque o minimalismo não esta presente nas palavras desse texto

Eu tenho passado por algumas mudanças na minha vida faz algum tempo. Comentei anteriormente por aqui que ela começou com as minhas roupas. Comecei sentir necessidade de roupas mais clean, mais básicas e não sabia ao certo de onde vinha esse necessidade (e nem se era uma necessidade, desejo ou influência do Pinterest), mas o que eu não sabia mesmo era como isso ia ser só o início do que vinha por aí.

No início de 2016, quando esse blog nem era .com.br, eu fiz um post com desejos de looks. Logo depois iniciei uma mudança no meu guarda-roupa. Li sobre armário-capsula, mas achei que não era pra mim, como ainda acho que não é, mas hoje estou mais próxima dele do que de um closet-abarrotado-de-artista-de-novela. Comecei fazendo uma limpa e olhei todas as peças que tinha. Todas me serviam, então começar a limpeza eliminando o que eu não estava afim de usar foi o ponto chave. Lembro de ter tirado tudo o que era estampado. Aquele tanto de flor, porque pra mim essa era a única estampa possível, começou a me dar dor na visão. E eu não conseguiu mais combiná-las com nada. Nem com roupas lisas. E assim foi a primeira limpa no guarda-roupa.

Algum tempo depois fui cuidar da minha sobrinha e enquanto ela tirava o soninho da tarde comecei a olhar os livros da minha irmã e cunhado. Me deparei com “A mágica da Arrumação – A arte japonesa de colocar arrumação na sua casa e na sua vida” da japonesa Marie Kondo. Comecei a ler o livro. No mesmo dia passei no shopping e comprei um exemplar pra chamar de meu. Já tinha ouvido falar do livro, mas nunca tinha me dado ao trabalho de folheá-lo quando o via na livraria. Sempre me achei organizada, ainda que na adolescência meu guarda-roupa me dissesse o contrário HAAHAH #quemnunca? Comecei a ler o livro, mas a vida acabou me atropelando eu o deixei de lado. No fim do ano passado, depois de sair do emprego que tinha, resolvi retomar a leitura.

marie-kondo-a-magica-da-arrumacao-cafofodacamila

Terminei de ler o livro achando algumas coisas meio absurdas. Não fazia sentido pegar uma peça de roupa e conversar com ela para entender o sentimento que tinha. Também achei que não fazia sentido tirar todos os itens da bolsa ao chegar em casa. Seriam dois trabalhos: o de desfazer e o refazer no dia seguinte. Resolvi que algumas coisas simplesmente não faziam sentido pra mim e deixei de lado. Resolvi aplicar o que fazia sentido, como a dobradura das peças de roupas e a organização de papeis, por exemplo.

No dia 02 de dezembro de 2016 eu iniciei uma limpeza nas minhas coisas (sim, a data me marcou MUITO). Eu fazia coleção de revistas de moda desde janeiro de 2007. Durante todo esse período eu era assinante da revista Elle. Tinha todas as 118 edições da revista guardadas em um armário. Também tinha dezenas de edições da revista Vogue Br. E mais 1 ou 2 anos de assinatura das revistas L’Officiel e Harper’s Bazaar. E mais algumas edições US, UK e FR desses revistas. E mais algumas edições de revistas de moda menos conhecidas da Espanha e Portugal. Eu realmente não faço ideia de quantas revistas de moda eu tinha guardadas no meu quarto.

Depois de terminar a leitura do livro eu entendi que não precisava de todas aquelas revistas. Fazia meses que eu sequer abria a edição mensal da Elle que chegava na minha casa. Algumas estavam ainda na embalagem lacrada que a Editora Abril me enviava. Me desfiz de todas as revistas que não fossem Elle. Deixei apenas as que traziam Gisele Bündchen na capa. Todas elas couberam no armário onde ficava apenas 2/3 das revistas que eu tinha e ainda sobrou espaço.

Depois eu passei para minhas roupas. Olhei cabide por cabide, blusa por blusa. Não perguntei para nenhuma das minhas roupas o sentimento que elas me davam. Simplesmente fui tirando o que não me servia, o que estava fora de moda, o que me servia, mas não me deixava confortável. Tirei roupas de frio, calor e de dormir (nunca fui dessas que usa pijama, mas tinha roupas específicas para esse fim, tipo camiseta velha). O que dava para ser usado foi para doação, o que não dava, para o lixo. Aaaah também limpei a gaveta de lingerie e meias. Eu só usava sapatilha, pra que precisava de tanta meia? Juntei tanta coisa para tirar do meu guarda-roupa que as pessoas aqui ficaram impressionadas. Passei para os acessórios: bolsas, sapatos, bijuterias. Sobrou 2 mochilas, 2 bolsas, 3 sacolas de pano sustentáveis e 2 bolsas de festa. O espaço que abriu no meu guarda-roupa foi incrível.

Depois eu passei para papéis e documentos. Eu tinha tanto documento antigo. Fatura de cartão completando quase 10 anos. Extratos bancários com o mesmo período de tempo. Tudo estava milimetricamente organizado por data, com post-it e saquinhos separando os mais recentes do mais antigos (estão vendo? Eu disse que era organizada). Olhei documento por documento separando o que ia para o lixo e o que teria de ser armazenado. Holerites (ou contra-cheques se você não for de SP HAHAHA) e documentos de rescisões e INSS foram rapidamente organizados, separados e ficaram a espera de pastas organizadoras. Alguns documentos como contas de celular foram separadas e guardadas até que a carta de “não consta débitos” da operadora chegassem (e assim que chegaram as contas e seus comprovantes foram para o lixo). Eu devo ter ficado um dia inteiro picando papel (com a ajuda de uma máquina, é verdade). Cartão vencido há anos, cartões de vale alimentação/refeição de empresas que nem trabalhava mais, assim como os de convênios e até um vale passe de 2011 do metro carioca eu tinha guardado. Todos para o lixo. Devo ter ficado com menos de 1/4 do que tinha de documentos.

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Pouco tempo depois chegou o natal (a minha época preferida do ano) e ao invés de sair por aí comprando roupas novas, como fazia todos os anos, eu fui ao shopping e não vi nada que me agradasse. Olhava as vitrines e não sentia vontade de comprar nada. Eu juro que não sentia.

Depois do Natal vieram meu aniversário, o aniversário da minha sobrinha, páscoa e tantas outras ocasiões em que, anteriormente, eu usaria o fato de ter uma festa para comprar coisas novas e nesse ano eu não usei. A única peça de roupas que eu comprei esse ano foi uma #brusinha, mas somente depois de, pelo menos, um mês de tê-la experimentado, quando ela já estava em promoção. Verdade seja dita, em janeiro eu tive mini ataque na MAC e comprei vários produtos de maquiagem de uma vez. Tirando essas ocasiões, as únicas coisas que eu comprei foram produtos para o cabelo e de higiene pessoal, mas sempre quando o que eu tinha já estava no fim ou tinham acabado. Ou seja, comprei quando realmente foi necessário. Vejam bem, eu sou (era?) do tipo que faz estoque. Black Friday é (era?) a época perfeita para comprar desodorante em conta e eu comprava 5, 6, dependendo da promoção, e guardava pro resto do ano (sou [era?] daquele tipo que vai ao supermercado e compra 5 detergentes sabendo que no mês será necessário apenas 4, porque vai que né?). Esse é um dos motivos pelos quais eu não indico mais produtos aqui no blog, porque eu não tenho consumido muito e quase nada de novo.

Em junho eu comecei sentir necessidade de fazer uma nova limpeza. Comecei a me incomodar com a quantidade de papel que eu estava acumulando. E não era papel do tipo documento. Era papel do tipo caderno, coisa da faculdade e as revistas que ficaram. Como falei ali eu gosto de ter as coisas a mão e odeio precisar de algo e não ter, então sempre mantive adesivos, post-it, cadernos, folha de sulfite, durex, fita dupla-face, cola, réguas de vários tamanhos, incluindo esquadros (?) e todo tipo de coisa necessária de escola/escritório. Tinha duas gavetas que mal abriam de tanta coisa.

Pois bem, depois de pensar, analisar decidi que iria me desfazer do que não estava em uso. Inicie uma nova limpeza. Olhei revista por revista. Me desfiz de 95% delas e até mostrei nesse post aqui:

Depois disso arrumei minhas gavetas de material de escritório que virou A gaveta. Passei para outras partes da casa que não diziam respeito a mim AAHAHAHA Arrumei um armário que tínhamos aqui e descobri que meus pais tinham conta de luz desde 1995 guardadas. Obviamente, foi tudo pro lixo. Liberou tanto espaço que nem sei explicar. Depois disso meu irmão deu uma limpada no guarda-roupa e gavetas dele. Meus pais também fizeram uma limpeza em suas coisas e o tal armário ganhou mais espaço vazio, o que nunca tinha acontecido desde que me entendo por gente visto que moro no mesmo apto desde os 3 anos de idade. Meu quarto também ficou mais arrumado e com menos bagunça, mas ainda não é o suficiente porque as coisas da faculdade (que estou usando nesse semestre, para ser mais exata) ocupam um espaço incrível.

Também fiz arrumação no pc, depois de recuperar fotos, documentos e músicas de um pc antigo que estava quebrado e eu achava que já tinha perdido tudo. As fotos e músicas realmente me faziam falta nesse tempo todo (cerca de 2 anos) e foi realmente emocionante recuperar essas coisas que já tinha dado como perdidas, porém os documentos não tinham feito falta. Aproveitei para deletar coisa sem importância.

Mas depois de ler todo esse relato vocês devem estar se perguntando o que isso vai influenciar na vida de vocês né? Na verdade esse relato todo foi só para mostrar como precisamos de muito menos coisas do que temos. Eu assisti um documentário na Netflix sobre Minimalismo (ele esta legendado na netflix, só não encontre o trailer assim no youtube) e fiquei bem impressionada. Estou longe de chegar ao ponto que as pessoas do documentário estão e para ser bem sincera eu nem sei se quero chegar (mas eu também achei que alguns dos métodos de Marie Kondo eram besteiras e bem… eles não são). Apesar de não ser agora (e talvez nunca chegue a ser) uma pessoa minimalista eu tenho repensado MUITO o consumo que tenho. O porque de comprar mais um batom quando eu já tenho uma quantidade muito maior do que a maioria das pessoas tem e em cor tão parecida com as que eu já tenho. Porque comprar mais uma #brusinha se já tenho tantas e algumas que nem uso com tanta frequência.

Também assisti a um vídeo da Karla Lopes do Hey Cute onde ela fala sobre usar todas as nossas roupas no dia-a-dia, mesmo aquelas compradas para ocasiões especiais e em como esse conceito acaba nos fazendo consumir mais e de forma bem desnecessária, para ser sincera! Esse também foi um dos motivos que quase me fez não cobrir SPFW e por falar tão pouco de moda no blog, a não ser ocasiões especiais.

Todo esse processo também me fez perceber onde era o escoamento de grana. Porque consumindo menos, você gasta menor, ou pelo menos melhor. Descobri que o valor que eu gasto com comida é inacreditável. Consumo consciente também inclui o que comemos e as informações que lemos. Mas isso já é assunto para outro post AHAHAHA Se você chegou até aqui, parabéns, mesmo!!!

Se você deseja consumir menos não se force, faça as coisas no seu ritmo. Ache algum ponto que você consiga abrir mão. Se não deseja consumir menos, ok também. Por outro lado, se você sentir que esta passando por uma fase de mudança, não fique ansiosa (o) para saber o que esta acontecendo, aceite as mudanças conforme elas forem surgindo. Eu juro que isso não é auto-ajuda, até porque eu odeio auto-ajuda HAHAAH É só um exemplo de uma situação que eu estou passando e só percebi a pouquíssimo tempo. De verdade, só me dei conta do processo que eu estava passando cerca de 1 ano e 1/2 depois de sentir as primeiras necessidades de mudança e só depois de ter uma aula maravilhosa na faculdade sobre Comunicação. As mudanças estão gritando por aqui e inclusive me fazendo repensar os motivos pelos quais eu estou fazendo o curso que escolhi (Marketing, veja bem a incoerência HAHAAHA) e de que forma a minha formação implicará na vida de outras pessoas, além da minha própria.

Aqui no Cafofo as mudanças não param também. Ainda estou tentando achar uma maneira de falar sobre moda e beleza de forma consciente porque não quero ficar indicando produtos ou falando sobre a última moda-tem-que-ter da estação. Então se você tem sugestões ou se passou por uma experiência parecida me conta? Se não passou e acha tudo isso besteira, quero te ouvir também, afinal é sempre bom ouvir os dois lados. Me deem a visão de vocês sobre esse assunto, eu quero MUITO ler.

Obrigada por ter chegado até aqui. De coração <3

Bjks

Imagem: Freepik (modificado); Amazon; minimalism.life

2 thoughts on “Sobre mudanças pessoais, consumo consciente e minimalismo

  1. Cara, achei esse texto incrível.
    Eu faço Ciências Sociais e ando tendo muitos questionamentos, fora que percebi que mudanças muito provavelmente representem estabilidade pra mim.
    Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah, que texto incrível.

    1. Muito obrigada por esse comentário!!! Que bom que você gostou e se ele possa te ajudar de alguma maneira!!! Bjks!

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