SPFW nº43 – dia 02

Depois de um início de semana agitado, o segundo dia foi de mais veracidade com todas as marcas colocando suas peças a venda e o streewear aparecendo com força. Será esse um sinal dos novos tempos, onde tudo será mais palpável? Mas moda não é piração, criação, um motivo para fugir da realidade ou nos tempos de crise não há espaço para isso?

Vem ver as coleções de hoje e tirar suas próprias conclusões:

Vitorino Campos

Vitorino ingressou no SPFW com uma mulher sofisticada, com pegada dos anos 1960, mas ao longo das temporadas ele foi ganhando experiência e conhecendo melhor suas clientes e com isso acabou rejuvenescendo suas coleções. Na coleção apresentada nesta terça-feira, ele mostra uma mulher segura de si, que deseja brincar com padrões e modelagens, seja relembrando seus momentos de infância dos anos 1990 (diz se os looks com saia mini xadrez não lembram Cher de Patricinhas de Beverley Hills?) ou pegando gancho no minimalismo tão em moda atualmente. Ainda em questão de minimalismo, a cartela de cores veio a calhar com muitos tons preto, branco, azul e vermelho. A padronagem veio para os momentos em que desejamos ficar confortáveis ou ultra sexy. O melhor da coleção? Ela já esta a venda!!!

Sissa

A primeira estreante da semana chegou chegando. Com uma coleção delicada, inspirada em locais africanos e no nordeste brasileiro, a estilista demonstrou frescor para a semana. Mesmo sendo uma coleção de inverno, ela é uma coleção solar, alegre. Com estampas de flores e listas em tecidos fluidos, talvez a coleção seja na medida para nosso inverno. Em contrapartida, outras peças são mais pesadas, em tons escuros e com modelagem mais estruturada. O lado positivo é que toda a coleção conversa e você consegue imaginar em cada momento o look será usado por uma mesma mulher. Meus looks preferidos foram os três primeiros, mais sóbrios, elegantes e com modelagem confortável que vai do trabalho a um happy hour ou cinema.

Ellus

A grife comemora nessa temporada 45 anos de existência e resolveu fazer uma coleção inspirada nos seus clássicos. O que mais me emocionou foi ver modelos famosíssimas em suas épocas como Marcelle Bitar (sumida do mundo da moda atual), Carol Ribeiro, Mariana Weickert, Luciana Curtis, mas também modelos da nova geração como Carol Trentini, Renata Kuerten e Alicia Kuczman (retornando para o evento após problemas de saúde). Com pegada rocker, a grife trouxe muito couro, taxas, correntes e coturnos, mas os vestidos fluidos, curtos ou longos, com detalhes mais românticos também deram as caras. Achei o desfile com a cara mesmo da marca.

Lolitta

Se eu tivesse de descrever o desfile em uma palavra: elegância. A coleção estava sóbria na medida certa, muito por conta do uso de cinza em várias tonalidades. No início do desfile o tom usado foi mistura de malva, roxo e vermelho antigo e não deixou de ser elegante, mas realmente os tons da segunda metade deram toda a graça para o desfile. Com shape que já é sua marca principal, os vestidos e saias vinham com listras e em comprimento médio, logo abaixo dos joelhos, mas a novidade ficou por conta das mangas longas e levemente bufantes. O fato de todas as modelos estarem de meia completou a elegância da coleção.

GIG Couture

A inspiração veio de épocas bem diferentes como os anos 1970, 80 e 90, mas não é que deu bom? Os anos 1980 e 1990 podem ser percebidos na modelagem. Ombros levemente marcadas, looks com sobreposições e peças oversized rementem as duas décadas. Já os anos da década de 1970 aparecem nos tecidos, nas meias com sandálias e detalhes das peças. Estas por sua vez, da forma que foi apresentada no desfile, ficou ligeiramente over, mas com pequenas adaptações podem ser usadas com facilidade no dia a dia.

2Denim

A marca trouxe apenas jeans para a passarela e nos mostra que o material deve ser usado muito além da calça tão amada do dia a dia. Do clássico, jeans com camisa branca, passando por jaquetas e looks estruturados o material pode ser usado na sua forma mais clássica, clara. Usados com camisas de listras azul como é tendência, fica cada vez mais atual.

PatBo

Quando eu soube a inspiração de Patricia Bonaldi eu estranhei e fiquei imaginando como ela faria pra deixar o streewear com a sua cara. Confesso que quando vi a coleção achei um pouco estranha. Em alguns momentos não reconheci o DNA da marca, mas talvez isso seja resistência injusta da minha parte. Com roupas um pouco mais largas, barriga de fora e pegada ligeiramente hip hop a coleção estava bonita. O que eu gostei muito foram os moletons, feitos em parceria com Helena Bordon. Estes sim estavam bonitos e me fizeram enxergar a marca. Outro ponto que merece atenção positiva são os bordados, muito bem feitos, principalmente nas blusas oversized.

Lino Villaventura

Taí uma bom exemplo de inspiração em streewear sem perder o DNA. Lino optou por fazer vestidos “para o dia a dia”, mas sem deixar de lado toda a dramaticidade que lhe é característica. Vestidos com camadas extras de tecido nas saias ou completamente lisos, sem detalhes, foram acompanhados de botas com canos altíssimos, criando uma identidade visual típica das ruas. Algumas pessoas podem dizer que a coleção não tem nada de street, já que usar qualquer um destes vestidos para ir trabalhar ou para a faculdade, pegando ônibus e metro não é nada prático, mas eu lhes digo que para um estilista e marca como é Lino, isso é sim streetwear.

Alguns itens começam a ser recorrentes e o alerta para tendência esta ligado. É o caso de tops transparentes. Apareceu ontem na Animale e hoje na Ellus. Outro ponto que já foi muito recorrente é o streewear, roupas da rua para usar na rua. Ou seja, roupas menos complicadas e muito parecidas com o que já vemos por aí. Na cartela de cores, cinza, preto e vermelho andam comandando as coleções.

Pra saber todas as informações sobre os desfiles, acesse FFW. Lá estão todas as fotos de desfiles e bastidores, além de matérias especiais.

Bjks

Imagens: Zé Takahashi (Agência Fotosite)

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