SPFW nº44 – dia 06

Chegando ao último dia de desfiles com a certeza de que a moda caminha para um lugar melhor, olhando para o real, sem muita fantasia, sem muita invenção maluca que ninguém entende ou usa, olhando para o desejo das pessoas de serem diferentes e respeitando esse desejo.

Vamos aos desfiles:

  • SAMUEL CIRNANSCK

Samuel fez um verdadeiro mix de alta-costura com streetwear. Blusas e casacos ganharam o mesmo tratamento que os vestidos de festa e foram misturados a calça jeans, que não tinham nada de básicas. Todas as peças são bem características do estilista, mas ao serem transformadas em peças de streetwear, fogem do esterótipo de peças comuns. Elas são sofisticadas, sem ser over, podendo combinar com outras peças tão trabalhadas quanto elas ou com peças básicas. Para a cartela de cores branco, azul, amarelo e vermelho!

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  • COVEN

A inspiração na África só estava evidente na cartela de cores com muito marrom e verde. Nada de safáris, animal print ou vestidos longos e largos, como é costumeiro de se ver quando o tema é este. A coleção trouxe peças básicas como camisas branca, mas também peças complexas como vestido longos, trabalhados com mais de um tecidos, franjas e cores. 

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  • HELO ROCHA

Desde que Helo acabou com a Teca, suas coleções tem ficado mais democrática, sem perder a essência que lhe é característica. Com peças românticas ela se inspirou nas camisolas vitorianas. Babados, roupas claras e decotes foram trazidos para os anos 2017 com muita graça. O cetim veio para confirmar esse ar de intimidade que as peças tem, assim como os tecidos fluidos, que pouco marcam o corpo, mas revelam muito por conta das transparências. A cartela foi de tons suaves como off-white, branco e amarelo.

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  • JULIANA JABOUR

Juliana é conhecida por trazer para a passarela o streetwear. Isso ela faz em todas suas coleções e normalmente mistura esse estilo com peças mais modeladas. Nessa coleção, ela não fez diferente. Seguindo a linha que já vinha fazendo em outras coleções, trouxe os anos 2000 de volta, mas pode-se identificar inspirações nos anos 1920 e 1950. Saias rodadas e românticas, adornadas por babados, dividem espaços com calças de cintura baixa que deixa o umbigo a mostra e moletons oversize, um dos principais tecidos usados pela estilista. Essa é uma moda super atual, onde, mais uma vez, a mulher pode ser mais de uma: ela pode se arrumar mais para uma reunião e se deixar levar pelo que realmente ama usar nos fim de semana ou momentos de lazer, por exemplo. Em todos os looks é possível identificar, pelo menos, uma peça ou acessório que causa desejo, independente do estilo da mulher. A cartela de cores foi bem sóbria com preto, branco, laranja e tons de azul!

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  • APARTAMENTO 03

A inspiração do estilista foi a arquitetura e a arquiteta Lota de Macedo Soares. Foi nela que ele buscou algumas referências. Para a passarela a marca trouxe peças muito femininas, com vestidos, saias e blusas inspirados nos anos 1950 pré new-look. As roupas são elegantes, com corte reto, sem estampas, mas abusando de linhas verticais e horizontais. A cartela é enxuta e tem apenas 4 cores: preto, azul, amarelo e branco.

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  • RESERVA

Coleção divertida e despretensiosa! Acho que essa pode ser uma definição da coleção que se inspirou em mochileiros. Aquela mistura de roupas funcionais, mas que representam um tipo de homem aventureiro, que se joga, mesmo quando tem poucas peças para serem misturadas. A coleção estava alegre e com certeza irá conquistar muitos fãs, mesmo que eles permaneçam no mesmo local durante a estação toda!

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  • RATIER

Algumas peças dessa coleção são reutilizadas de coleções passadas. Elas foram refeitas e customizadas ganhando novo ar. Ótima ideia para o meio ambiente e para quem acha que peças de coleções passadas não são reutilizáveis. Dito isso, a coleção trazia um lado mais rocker, meio punk. Totalmente streetwear, esse olhar para a rua é característico da marca e foi toda feita em preto e branco.

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A semana chegou ao fim com o diagnóstico de que a moda caminha junta, sim, independente da marca, estilo ou DNA. Estamos caminhando para a frente, olhando o que esta ao nosso lado, bem ali na rua, ou seja, para a moda real.

Esse caminho de inspiração no streetwear é o caminho que a moda deve seguir, pois assim ela terá espaço para todas as pessoas, respeitando todas as formas de se vestir, todos os corpos. No fim da temporada, a palavra que fica é essa, respeito.

Pra saber todas as informações sobre os desfiles, acesse FFW. Lá estão todas as fotos de desfiles e bastidores, além de matérias especiais.

Bjks

Imagens: Agência Fotosite

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